Publicado por: granquixote | janeiro 11, 2011

MÍDIAS & MENTIRAS

DUPLIPENSARES

            No apagar das luzes de 2010, aproveitando a ressaca pós-eleitoral, Franklin Martins (ex-ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência) reavivou uma das polêmicas intermitentes dos governos de Lula da Silva: o expediente definido como “controle social da mídia”. Mais uma vez, vozes firmes se ergueram contra a ameaça à liberdade de expressão; liberais das melhores cepas (e os inevitáveis patifes interessados) lideraram a grita geral, que pareceu sonorosa o bastante para levar a presidente Roussef a um desagravo público (repetido aliás em seu discurso de posse) sobre “preferir o barulho da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”. O novo ministro das Comunicações, Paulo Bernardo – a quem o indigesto tema foi repassado – já se comprometeu publicamente a engavetar a proposta (ao menos por enquanto). Mas os grupos e partidos de esquerda associados ao poder petista seguem no debate.

            Reconheçamos primeiramente que a polêmica manifesta sempre será melhor do que os golpes de bastidores (como o que foi tentado em meados de 2010 por meio de um manhoso “Plano Nacional de Direitos Humanos”). Todavia, o projeto hegemônico dos grupos que se autodenominam “progressistas” já demonstrou sobejamente suas intenções. Disposição para o debate não pode significar ingenuidade; e nesse caso, mais uma vez, procura-se reunir um arrazoado de meias-verdades para lograr a análise crítica. Tentemos burlar os duplipensares orwellianos para alcançar o cerne da discussão.

PELE DE CORDEIRO

            Argumentam os defensores dessa figura retórica do “controle social da mídia’ que este seria exercido por um Conselho Nacional de Comunicação (replicado nos estados), composto por “representantes do governo, das empresas e da sociedade civil” para implementar uma política de regulação pública dos sistemas de comunicação – com particular ênfase nas empresas de radiodifusão e nos provedores da internet, visando os grandes grupos de mídia com múltiplos veículos a seu dispor. Lembram que tais aspectos estão consagrados na Constituição de 1988, mas que nunca foram regulamentados. Enfatizam o virtual monopólio dos meios de comunicação de massa em mãos de poucas empresas (e famílias), denunciando os riscos para o pluralismo democrático decorrentes dessa concentração. Evocam o modelo de nações plurais e democracias sólidas como o Reino Unido, a França e a Alemanha, como prova da perfeita compatibilidade entre suas demandas e a liberdade de expressão. Denunciam, enfim, a reação dos grupos de mídia e dos setores liberais da sociedade civil (como a OAB e a ABI) como uma defesa feroz do próprio poder e dos imensos privilégios que lhes foram garantidos por seu pretenso monopólio da opinião pública organizada.

            Como dissemos mais acima, todos esses argumentos partem de meias-verdades. Tal discussão efetivamente se coloca na Constituição de 1988; nos termos indicados, procedimentos semelhantes são de fato inerentes aos modelos britânico, francês e alemão de regulamentação das comunicações. Deveras existe um virtual monopólio dos sistemas de radiodifusão (e das mídias em geral) em mãos de poucas empresas e famílias. Basta lembrar das Organizações Globo, da família Marinho, que controlam emissoras de TV e rádio, jornais, editoras, portais de internet e serviços de TV a cabo. Não obstante, por que essa soma de meias-verdades permanece falsa?

SEMPRE NOS DETALHES

            Curiosa a preocupação de petistas e agregados com o pluralismo democrático nas comunicações. Pequenos detalhes (capazes em si de esvaziar esse discurso) são cuidadosamente postos de lado; trata-se de uma questão de retórica, não de ética. E nem mesmo a evidente autodefesa dos grandes grupos de mídia altera a evidência de que o verdadeiro risco à liberdade de expressão reside na proposta do poder, e não no interesse privado.

            Primeiro detalhe: quase 90% (90%!) das emissoras regionais de TV (retransmissoras das grandes redes) pertencem a oligarquias políticas nos estados – a começar pelos Sarney no Maranhão, os Collor de Melo em Alagoas e os Magalhães na Bahia; o mesmo tanto pode ser dito (de maneira muito mais abrangente) sobre as emissoras de rádio. Indicamos aqui a velha oligarquia baiana (atual oposição) apenas para não sermos acusados de parcialidade; salvo engano – cuja contraprova pode-se buscar nos registros da ANATEL e da ABERT – tais grupos de comunicação são controlados por hoje aliados do lulo-petismo. Alguém teria a desfaçatez de acreditar que as concessões de rádio e TV dos Sarney possam ser cassadas por um Conselho Nacional de Comunicação? Evidente que não. Logo, a questão de fato não pode ser esta. Devemos procurar as reais intenções desse projeto em outro lugar.

            Segundo detalhe: a começar pela própria Globo (que precisou de recente – e discreto – socorro financeiro público), os grandes grupos de mídia são em geral ligados ao poder. Precisam não apenas de empréstimos eventuais; quase 60% (60%!) de toda verba de publicidade na mídia tem origem nos governos e nas estatais. Sozinhos, Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal correspondem a cerca de 15-20% do total. Seria necessária uma dose excessiva de malabarismo intelectual para admitir que essas empresas privadas de comunicação desejem ter o Estado como inimigo. E, numa situação como a nossa, na qual as instituições tornaram-se instrumento de barganha no festim promovido pelos senhores do poder, pode-se assumir como verdade a evidência de que (pelo menos) esses grupos precisam cultivar boas relações com a cúpula petista.

            Terceiro detalhe: ao estabelecer como parâmetro sociedades européias plurais e democráticas, os defensores do “controle social da mídia” silenciam sobre o elemento que não lhes convém na comparação – se os mecanismos se regulação efetivamente existem nesses países, também é verdade que suas instituições são igualmente efetivas. Dito de outra maneira, a título de exemplo: o principal grupo de radiodifusão do Reino Unido é uma fundação pública, a BBC – mas sua direção é independente dos governos (não só escapa ao poder de nomeação do primeiro-ministro, da rainha ou de quem quer que seja, mas permanece imune ao mercado dos favores políticos). Só podemos lamentar profundamente se algum dos leitores, em sã consciência, crer em algo parecido ocorrendo no Brasil. Para demonstrar que não se trata de preconceito para com os petistas e assemelhados, lembremos que em nosso paralelo mais próximo, a TV Cultura de São Paulo – controlada por uma fundação pública regimentalmente livre das ingerências do Governo do Estado – o jornalista Heródoto Barbeiro foi afastado do programa Roda Viva ao constranger o então candidato do PSDB à presidência, o ex-governador José Serra, com uma pergunta sobre o preço dos pedágios no estado administrado pelos tucanos desde 1995. Não se trata apenas de duvidar da boa-fé do atual governo petista; trata-se na verdade de reconhecer no sistema político brasileiro vícios que bloqueiam (em todo o espectro partidário) a adoção de medidas que tenham como contraponto as práticas de sociedades civilizadas.

SILÊNCIOS E APLAUSOS

            Mas de que se trata então esse sombrio “controle social da mídia”? Convém lembrar mais dois (derradeiros) detalhes.

            Quem seriam os verdadeiros alvos dessa iniciativa? Ora, certamente que não aqueles grupos e empresas cooptados pelo lulo-petismo – o que inclui, em maior ou menor grau, a maior parte dos conglomerados de comunicação do país, generosamente subvencionados pelas verbas publicitárias de estatais e ministérios e socorridos por empréstimos camaradas dos bancos públicos. O golpe direciona-se, na verdade, aos poucos grupos que sobrevivem à margem desse conluio. Em São Paulo, destacam-se o Grupo Estado e o Grupo Abril – um doce para quem encontrar um anúncio sequer do Governo Federal no Estadão ou na Veja (campanhas do Ministério da Saúde não contam, pelo menos por enquanto…). O que nos leva para a questão candente (e quase irreverente): por que usar o pretexto do “controle social da mídia” para atingir esses grupos? Pode-se responder sem titubear: são as principais vozes de oposição na democracia manietada pelo lulo-petismo; independentes de verbas ou favores públicos, podem se recusar a aplaudir o festim (e o butim) alegremente aceitos pelos seus pares. Admito que sua oposição seja muitas vezes agressiva, e no geral partidária (o Estadão assumiu em editorial o apoio à candidatura presidencial do PSDB). Mas uso o precedente aberto pelo adversário – espero que de maneira mais coerente: impossível encontrar em algum lugar do mundo atual uma mídia opositora mais virulenta e parcial do que os grupos norte-americanos ligados ao Partido Republicano. Sua repulsa pública ao governo Obama flerta com todos os fantasmas do inconsciente trágico dos Estados Unidos – do racismo ao fundamentalismo cristão, do macarthismo à Ku-Klux-Klan. Mas nem mesmo aos mais radicais expoentes do Partido Democrata perpassa a idéia de calar seus adversários; reconhecem na histeria republicana do Tea Party o preço amargo da liberdade.

            Tentamos desarmar a arapuca pretensamente asséptica do “controle social da mídia”. Podemos oferecer um voto de confiança à nova presidente e ao novo ministro quanto ao seu real compromisso de engavetar a proposta. Reconhecemos a razoabilidade dos argumentos invocados; mas também percebemos as intenções espúrias ocultas sob essas meias-verdades. No curso atual de nossa democracia, sob o garrote do projeto hegemônico de poder do lulo-petismo, parece-nos mais sábio postergar um debate legítimo do que oferecer mais munição aos postulantes da ditadura da maioria. E o caso de uma (esperamos que breve) alternância de poder não modifica nossa análise. Concordamos com a essência da tirada retórica da presidente Roussef, mas mudamos-lhe os termos: preferimos as parcialidades da imprensa independente ao aplauso cúmplice de uma mídia cooptada.

Leandro Gonsales Ciccone

10 de janeiro de 2011


Respostas

  1. Seria lá incoerente traçar um paralelo entre esse “controle social da mídia” e a dissolução de governos estaduais com a nomeação de interventores que levaram o governo provisório de Vargas à centralização político-administrativa? Não. Se a intenção de Franklin Martins é dissolver as famílias oligárquicas da mídia, é evidente que seu alvo são as opositoras, não as compactuadoras. E não foi outra a intenção de Getúlio quando decretou o Código dos Interventores, oito dias após subir ao poder – ou melhor, tomar o poder. Pode ser anacrônico, Leandro (embora o anacronismo seja o inimigo preferido do Sérgio, convenhamos), mas as semelhanças não podem ser meras coincidências. Viva a liberdade.

    • Viva sempre. Caro Yan, teu comentário anterior (sobre a questão iraniana) carece de uma resposta – que ainda não veio, mas virá… Por ora, já te peço que releias o texto; quando repetes a idéia de que o regime iraniano é uma teocracia, de duas uma: ou não me fiz claro, ou discordas do que digo. Em ambos os casos, podemos abrir um debatezinho sobre isso… Resumindo minha preocupação geral, nosso século viverá o embate entre o secularismo e o fundamentalismo – e não são apenas os fundamentalistas que me preocupam. A pretexto de separar religião e política, as nações ocidentais adquiriram um desprezo manifesto pelas questões da fé; a dimensão do sagrado se tornou um fator privado de escárnio público, em várias circunstâncias… Como a maioria dos homens segue algum tipo de culto, e poucos sentem ter motivo para se envergonhar disso, o laicismo (convertido em desprezo pela fé em si) só tende a agravar um conflito que já se vislumbra trágico. Um dos próximos ensaios neste GRANQUIXOTE será sobre isso. Reflita mais uma vez sobre essas questões e conversaremos!

  2. Acho no mínimo curioso um grupo como o Abril ser considerado por você como “da oposição”. Como podemos denominá-los assim se, durante todo o burburinho feito pelo lançamento do filme “Lula, o filho do Brasil”, houve uma crítica pesada direcionada à empresas que patrocinaram o filme, sendo assim, o descontento do grupo Abril deveria se refletir em atitudes, e não continuar a fazer publicidade de algumas empresas criticadas.
    Além disso, tomando como exemplo toda a euforia em torno do filme “Tropa de Elite 2″, acho no mínimo curioso o “mito” do filme. Logo no início, sabemos por uma nota dada pelo diretor que o filme é de ficção. Porém, com tantas críticas praticamente escancaradas ao longo do filme, a ideia que me vem à cabeça é que Padilha não é conivente com as atitudes do governo e ele tenta ironizar a sua frase inicial. Mas, se levarmos em consideração todos os seus patrocínios, que inclui empresas estatais, penso que a atitude de Padilha é no mínimo de uma pessoa vendida. Aliás, o impacto do lançamento do filme antes das eleições para governador do Rio seria enorme e poderia influenciar a reeleição de Sérgio Cabral, contudo, por causa de “questões de segurança” o lançamento do filme teve de ser adiado.
    Por isso, acho errôneo considerarmos quaisquer partes como “oposição”. Talvez seria melhor se considerarmos cada uma das partes menos corruptíveis ou satisfeitas, porque no final, todos são de alguma forma corrompíveis. Maybe because bussiness is bussiness.

    • Discordo em ambos, caríssimo Isawa. Você mesmo reconhece que nos dois casos as críticas das revistas do Grupo Abril (e especialmente da Veja) foram bastante incisivas; supor que uma empresa – não importando sua área de atuação – recuse publicidade de grupos aos quais se opõem no plano político-ideológico é absolutamente irrealista. Comparação pessoal: tenho conta no Banco do Brasil, pela qual recebo meu salário; minhas convicções exigiriam que eu fechasse essa conta e sacasse milhões de reais (hahahahaha) no RH da empresa? Isso não seria oposição; tem sabor de pseudo-militância, aquele tipo de rebelde juvenil que protesta contra o capitalismo execrando o McDonalds em seu perfil do Facebook… Mais importante ainda, não se trata do Grupo Abril ou qualquer outro recusar publicidade dos entes públicos federais; são estes que excluem seus desafetos na mídia da sua generosa partilha de verbas (públicas). Compare-se por exemplo com a IstoÉ, Carta Capital ou Caros Amigos, verdadeiros Pravdas (boletim oficial do finado PCUS); a publicidade do governo transparece nas páginas coloridas e nas reportagens chapa-brancas… Bussiness is bussiness, my boy, but there’s always a choice; civilizated people had searched for that for a long time – we must do the same.

  3. Professor,
    Acho louvável sua percepção de que, novamente, as leis validadas seriam somente utilizadas para os opositores. Contudo, o argumento mais simplório, que o senhor não mencionou, e que em minha opinião é o mais importante, é a questão da responsabilidade da imprensa. Quando o governo erra, ou mesmo quando não erra, todos os críticos estão de olhos e ouvidos bem abertos para apontar e falar que o PT não é um bom partido, e não é mesmo. No entanto, quando a situação ocorre com os próprios jornais, rádios e internet, em suma, a imprensa em geral, não vejo tanto rigor no trato. Destarte, isso seria uma espécie de preconceito contra o PT, que vem sendo demonizado nos últimos anos. A aquiescência de fatos abertos de corrupção realmente deveria fazer com que nenhum eleitor cônscio confiasse seu voto ao partido. Mas é aí também que aparecem os inimigos da democracia. O grande problema de 90% das pessoas que votam no PSDB é que elas têm a coragem de estufar os pulmões para entronizar um partido que, visto sob o prisma da ética, não passa de um farisaico amontoado de pessoas que foram negligentes, e ainda o são, com, para ficar só em um caso, a compra de votos, comprovada, de deputados para a reeleição. Curiosidade: cada um custou 200 mil. Mas tudo bem né, foi em 1994, faz tempo, ninguém lembra. É esse partido que forma a “oposição” e no qual muitos tem orgulho de votar, mas tudo bem, são os mesmos que lêem Reinaldo Azevedo e Diogo Mainardi; aiai se José Guilherme Merquior estivesse vendo tudo isso.
    Mas enfim, esses já são outros quinhentos…
    Voltando a questão da imprensa. O argumento de que a maior parte de nossa imprensa “crítica” confunde liberdade com libertinagem está certo. E é por isso que ela deve ser, não controlada, mas fiscalizada. Pois o que sai na imprensa é tido, por grande parte da população, como verdade absoluta, mesmo que não haja comprovação nenhuma, o que atesta contra todos os princípios democráticos.
    Se fossemos realmente democráticos e imparciais, condenaríamos a prática de revistas como a Veja, que vive “encontrando” dossiês, principalmente na época de eleições, mas que não deu muita importância para a máfia dos vampiros, que aconteceu enquanto Serra era ministro da saúde, ou para o fato de que na câmara de São Paulo, já foram barradas mais de 70 CPIs contra o governo do PSDB. José Genuíno, que em qualquer outro país seria primeiro julgado, foi, aqui no Brasil, primeiro morto e crucificado pela imprensa, mesmo que a justiça ainda não tivesse o condenado, como não o fez até agora…
    Não estou fazendo apologia do PT, porém me deprime ver que pessoas que se revoltaram com as atitudes petistas no poder, votem no PSDB, esquecendo 8 anos de governo federal e, 16 anos de estadual em São Paulo, com inúmeros casos de corrupção. É preciso comentar sobre o DEM? Ou sobre o PV, que se aliou com o DEM no norte?
    Só alguns pensamentos que me vem à cabeça quando o assunto é política brasileira.

    • Pois bem, caríssimo Tuca, antes gostaria que me permitisses (por dever de ofício) uma correção: a emenda da reeleição foi aprovada em 1997 (e não em 1994). Sobre seus três argumentos básicos, contrapontos (pela ordem): não se trata (ao menos de minha parte) de preconceito para com o PT, demonização ou algo que o valha – a educação que recebi me obriga a condenar o crime, e não a acobertá-lo/atenuá-lo/omiti-lo. Lamento profundamente confessar que, em 2002, meu voto contribuiu para aboletar essa turma no comando do país; apesar da formação liberal, preferi apoiar as esquerdas a aceitar um novo governo de perfil monetarista/recessivo. Em termos estritamente econômicos, pode-se dizer que a mudança que me parecia necessária aconteceu (com grande dose de irresponsabilidade, sem dúvida, mas aí já estaria eu entrando mais um vez em choque com os petistas…). Mas o governo populista, corrupto e autoritário de Lula da Silva não merecerá jamais minha aprovação; e se hoje faço parte de uma minoria insatisfeita, os problemas econômico-financeiros deixados como arapuca para a presidente Roussef em breve me trarão alguma companhia… Como já tive oportunidade de escrever aqui antes, os brasileiros foram movidos por interesses estritos em seu apoio a Lula e ao PT – apoio que se converterá inevitavelmente em frustração, mas esse é o preço das ilusões… Quanto à responsabilidade da imprensa, nossa divergência ideológica se torna aqui também conceitual: a liberdade de expressão não pode ser fiscalizada. Esse é o argumento dos regimes totalitários de todos os matizes. Farisaico é o argumento de que a mídia recusou espaço ou direito de resposta às malfeitorias da trupe petista. Leio o mesmo Estadão desde os 11 anos, e tenho material de arquivo sobre todos os governos desde então. Jamais (“nunca na história deste país”) ofereceu-se tamanha cobertura às mais medíocres declarações de um presidente quanto nos últimos oito anos. Foi o Grande Companheiro que não aceitou a regra básica do contraditório; concedeu apenas três entrevistas coletivas ao longo de seus dois mandatos, e mesmo essas com perguntas pré-aprovadas e sem direito a réplica… O presidente dos Estados Unidos costuma ser acuado pelos jornalistas algumas vezes por mês, e de forma alguma se atreveria a negar à imprensa de seu país o direito de questionar seu governo. Mais uma vez, lembremos do óbvio: o ressentimento petista vem do desejo pelo aplauso, não pelo diálogo (ou crítica). Mais uma historieta pessoal: colecionei todos os números da revista “Bundas”, editada por Ziraldo e outros parceiros do Pasquim entre 1998-2001; cada uma das edições foi dedicada a agredir (muitas vezes de maneira condenável) o governo e a figura de FHC. Do alto de sua imensa vaidade, jamais o ex-professor Fernando Henrique se queixou desse tipo de oposição raivosa; o mais longe que chegou foi ao defini-los como “neobobos”. Anos depois, o mesmo Ziraldo assinou um manifesto de artistas em defesa de José Dirceu (sim, eu sei, ainda não condenado pela justiça, mas não deixa de ser curioso ver que vocês petistas usam o mesmo argumento que recusavam aos malufistas alguns anos atrás…). Coerência exige a condenação de todo delito, não apenas o dos adversários… Em tempo: para quem não aceita a demonização do PT, sua atitude de demonizar o DEM (por mais que o trocadilho quase o exija!) não me parece correta; novamente, sua perspectiva ideológica está ensombrecendo sua capacidade crítica. Não o faça! Já temos Marilenas Chauís e Diogos Mainardis suficientes por aí… E aproveitemos a liberdade de expressão enquanto ainda existe; permanece o risco de que você precise um dia me visitar na cadeia por crime de opinião – não se esqueça de levar algumas frutas… Abraço!

  4. Primeiro, desculpem por este comentário vir já tarde.
    Segundo, fica aqui um abraço para aqueles aqui em cima, com a devida admiração pelos dois.
    Por último, meu comentário é breve: apesar de ser, também, visceralmente contra o controle da imprensa, tenho em relação à fiscalização apoiada pelo Tuca uma crítica de ordem mais até prática que filosófica: acho pouco crível um órgão fiscalizador idôneo a ponto de ser livre de influência partidária; penso que confiar a esse órgão uma decisão sobre a legitimidade de um conteúdo editorial é, sem querer ou não, aproximar regulação de controle ditatorial.

  5. ei lindoooooo
    passei pra te contar que saiu a lista da FUVEST e meu nome está nela.Estou tããão feliz ,acho que ainda não deram nome para o sentimento pós lista haha.Passei em direito Ribeirão Preto,era minha terceira opção,mas a feliccidade é tanta que neim to preocupada se tenho que mudar,ou se não é São Francisco,porque é USP nee.Queria te agradecer muito porque cada vez eu via você lá no tablado eu sentia mais vontade de passar,para fazer jus às aulas que você dava ( apesar do milhão que vocÊ estava ganahndo por elas hehe).Tirando a parte em sou puxa-saco hehe,eu agradeço do fundo do coração,por todas as aulas,por todas as vezes q eu corria atrás de você para fazer mil perguntas e você me respondia com toda a educação do mundo,até sentava ne,obrigado por cada minuto q você gastou me ensinando,obrigado porque eu aprendi muito.Um dia você disse que cada manhã quando acordava tenatava se convencer que a sua profissão vale a pena,e hoje eu te digo com toda a certeza do mundo que vale a pena sim,cada minuto vale a pena,porque vocês nos ajudam a realizar nossos sonhos.Foi um prazer ser sua aluna em 2010,e to muito feliz porque você não vai me dar aula em 2011 rs.E outra coisa,ano passado você postou um artigo sobre os terremotos no Haiti e no Chile e na segunda fase havia uma qusestão em que tínhamos que falar sobre a situação do Haiti ( mais ou menos isso), e na hora da prova eu pensei;espero que tudo que ele escreveu naquele blog seja verdade haha,obrigado pelo artigo também.Esse ano vou lá no Etapa te dar um abraço,ou levar bombons no dia dos professores haha.Não vou esquecer de voCê, e de tudo o que fez por nós!!!

    Beijos,Thaís

    • Quixotescos e orgulhosos PARABÉNS. Sucessos e grandezas a cada esquina – grandezas verdadeiras como esta de hoje, sempre. Bacci per te!
      P.S. Espero que se extingua enfim a bajulação!!! Hehehehe

  6. ei lindo, sou eu outra vez.O caso é o seguinte, eu e meus amigos queremos dizer q estamos muito tristes por você não dar aula a noite na são joaquim.Isto é um absurdo, agente já tinha planejado de ir no ETAPA na semana santa, sentar lá na frente, responder as perguntas, ganhar nosso vale cardíaco ( essa sou eu ), agora não tem mais graças nee.Também queria contar que daquela turma que tem na foto que nós te demos ( e você não queria aceitar ) acho que 11 estão em faculdades públicas, e muito felizes! E o melhor é que continuamos amigos, apesar de agora estarmos distribuídos em vários estados ne =\, mas nos encontramos sempre que dá .
    Mas vou parar de enrrolação e ir ao ponto nee, o caso é o seguinte: preciso de uma ajudinha sua, e eu sei que você é muito ocupado sendo um excelente professor (Espero que se extingua enfim a bajulação , não mesmo haha ), e também sei que eu não sou mais uma contribuínte do milhão que você ganha mensalmente, então se você não puder me ajudar, nada vai mudar entre nós hahahah, vai continuar sendo meu preferido,mas o caso é o seguinte, estou lendo ( outra vez ) O Príncipe, para Teoria Geral do Estado, que diga-se de passagem é muito legal,e a minha professora pediu para que além de chegarmos com conhecimento para discutirmos o livro, tínhamos que saber sobre o contexto da obra, sobre os autores que apoiam e criticam Maquiavel.Então , se vc pudesse me indicar uns autores, ou algum livro ia ser muito bom nee.Essa é uma tentativa de facilitar minha vida haha, pq tenho aula o dia todo lindo, n tem muito tempo para pesquisas e quando googlei hehe só saiu wikpédia.
    Eu prometo que não abuso da sua boa vontade =)
    Muito obrigado se a sua paciÊncia tiver deixado você ler este texto até o final.
    baisers pour toi!!! ( é francês hahaha, se tiver errado a culpa é do google )


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